Colunas

ARAUTO? NEM TANTO ASSIM, AMADO MESTRE...





O tempo, além de ser um remédio pata todos os males, também é o ambiente que pode revelar indiscrições mantidas em segredo durante muito tempo, mostrando claramente os defeitos que eram mantidos escondidos ou desconhecidos de grande parte de um povo ou de uma comunidade.
Às vezes são necessários ventos externos, muito fortes e surpreendentes para retirar a cortina de fumaça e deixar às claras os defeitos que foram mantidos escondidos e que, por isso, vinham distorcendo as informações que todos tinham.
Quando a máscara cai, o desmascarado fica sem palavras para manter e justificar as suas faltas que vinham sendo mantidas guardadas deixando a população criar motivos que favoreciam ao mascarado.
Para não arriscar e a máscara ser arrancada pelo povo, quanto menor o número de pessoas que pudessem questionar o “príncipe” mais seguro estaria o segredo, e garantida a manutenção da ilusão espertamente alimentada para se constituir em referência na “corte”.
O arauto, encarregado de levar e fazer ouvir ordens do “príncipe” mudava de nome, de pessoa e de personalidade desde que, como mensageiro, porta-voz, ou oficial do comando, assumia a responsabilidade pela declaração de guerra ou de fazer as proclamações.
O segredo, mantido a todo custo, propiciava ao “príncipe” desclassificar os seus oponentes, colocando-os em patamares desfavoráveis devido às dificuldades na comunicação entre os governantes.
O mascarado apresentava seus oponentes como um desqualificado, que havia sido pego com a “boca na botija”, encarcerado e processado transformando-o em um alvo fácil de ser abatido, apontando o dedo aparentemente limpo para aquele adversário.
E agora que a máscara caiu e revelou que não há qualquer diferença entre os dois lados, com encarceramentos, processos e aparecimento de verdades mantidas escondidas, o “arauto” desaparece de cena e os oponentes, agora absolutamente iguais, podem receber os mesmos qualificativos e as mesmas identificações.
Sem máscara os dois agora chafurdam na mesma lama, sem hipocrisia e muito mais próximo de suas verdadeiras personalidades, consumidas pelo tempo e cheias de marcas de corrupção, com identidades muito parecidas e diferenças muito pequenas e imperceptíveis, a olho nu, na escolha a que se submetem, agora iguais e como “farinha do mesmo saco”.