Cotidiano

MP-AP participa de curso para jovens embaixadores do movimento nacional Mapa da Educação





Com objetivo de aumentar o debate sobre a educação em nível nacional, em 2015, um grupo de jovens fundou o movimento Mapa Educação, que tem mobilizado estudantes de todo o país em atividades de capacitação e debates sobre a realidade escolar em todas as regiões do Brasil. Neste sábado (27), ocorreu mais um curso online destinado a desenvolver lideranças jovens engajadas e ativas. O titular da Promotoria de Defesa da Educação do Ministério Público do Amapá (MP-AP), Roberto Alvares, foi um dos convidados do evento e falou sobre a realidade do sistema educacional no Amapá.

A programação, que contou com a participação de mais de 70 jovens embaixadores, iniciou com um questionamento: Qual é o papel do Executivo/Legislativo/Sistema de Justiça na luta por uma Educação Pública de qualidade? Em sua fala, a deputada  federal Tabata Amaral lamentou a ausência do Ministério da Educação (MEC), na condução de uma política nacional, sobretudo, em tempos de mais desafios, como o que se vive atualmente em função da pandemia da Covid-19.

"MEC não fez nada para ajudar na conexão das escolas. Poderíamos estar muito mais avançados. Metade dos alunos da favela não estão aprendendo e e isso é muito triste, porque as pesquisas apontam que o jovem que não termina o ensino médio vive menos e pode se envolver na criminalidade. Na urgência da pandemia é difícil pensar em Educacao, mas precisamos pensar. Não podemos deixar pra depois e devemos defender vacina aos professores e demais profissionais que atuam na educação", frisou a parlamentar. 

Outra pergunta para estimular o debate foi: qual seu papel na manutenção do direito dos estudantes e professores durante a pandemia? Ao fazer uma contextualização do papel constitucional do MP e das características regionais do Amapá, com suas múltiplas particularidades, como, por exemplo, a realidade dos alunos ribeirinhos, o promotor Roberto Alvares discorreu sobre o projeto "Gabinete na Escola", que tem levado o MP-AP para dentro das unidades de ensino, seja do sistema estadual ou municipal. 

"Duas vezes por semana nos deslocamos para uma escola e reunimos com a comunidade inteira, para conhecer de perto a realidade vivenciada pelos alunos. Infelizmente, temos graves problemas com mais de 20 mil crianças de zero a três anos fora da escola e mais de 25 mil alunos de 4 a 5 anos sem direito a educação inicial. Além de problemas básicos de infraestrutura, explicou o promotor.

Após as falas na sala virtual principal, em seguida, os convidados foram divididos em três salas, onde puderam ampliar o debate. Roberto Alvares foi questionado sobre as principais dificuldades enfrentadas durante a pandemia. "Praticamente não ensinou-se nada, não aprendeu-se nada; e essa é a realidade em todo o país. Não foram disponibilizadas as ferramentas necessárias para conectividade, nem para o ensino remoto", frisou.

Em outro questionamento, o representante do Ministério Público do Amapá falou sobre a recomendação da Promotoria da Educação para que Estado e Município de Macapá utilizassem meios de comunicação para repassar conteúdo aos alunos. "No entanto, não vimos muita efetividade", reafirmou o promotor Roberto. 

Por fim, o promotor da Educação, ao relatar as próprias dificuldades em sua trajetória estudantil, disse que continua vendo as mesmas dificuldades no sistema educacional do país. Questionado sobre o a função acusadora do Ministério Público brasileiro, explicou que também existe a atuação extrajudicial do MP, demonstrando os muitos mecanismos que utliza para agir. “Primeiro: MP não é bicho papão. Praticamente o que fazemos aqui é fora do Judiciário; lutamos em defesa da educação buscando mediar e conciliar os problemas, em busca da solução mais rápida para a comunidade", finalizou Roberto Alvares.

O evento foi coordenado por Wesla Monteiro, presidente do Mapa Educação, e Julia Abreu, coordenadora do curso. Dentre outros, contou, ainda, com a participação de Neurizete Nascimento - secretária adjunta de Políticas para Educação do Estado do Amapá.

Fonte: Prefeitura de Macapá - Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá