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Caminhoneiros param o Brasil





 

Com caminhões parados, trabalhadores protestaram contra o aumento no combustível. Paralisação refletiu em alguns estados sem combustíveis, racionamento de alimentação, medicamentos e energia.

 

A greve dos caminhoneiros, iniciada na segunda-feira (21), causou reflexos no Brasil. Uma grande manifestação nacional, envolvendo os trabalhadores de quase todos os estados, protestou contra o aumento dos combustíveis realizado semanalmente pela Petrobras bloqueando as principais rodovias do país.

Após uma semana parados, toda essa manifestação dos caminhoneiros gerou um grande impacto no país. Em menos de quatro dias, estados já estavam ficando sem abastecimento de combustível, alimentos e medicamentos. Além disso, entregas de mercadorias e cancelamento de voos foram registrados nesse período.

A paralisação dos caminhoneiros gerou um grande impacto devido o Brasil ser o país que possui a maior concentração rodoviária de transportes de cargas e passageiros entre as principais economias mundiais. Ou seja, em sua grande parte, a entrega de alimentos, medicamentos, mercadorias, cargas e entre outros é realizado, em sua grande maioria, por caminhões. De acordo com dados do Banco Mundial, 58% do transporte no país é feito por rodovias.

Além disso, a malha rodoviária é utilizada para o escoamento de 75% da produção do país. Por conta disso, a greve dos caminhoneiros teve um grande reflexo em todos os estados.

O Governo Federal busca, desde a quarta-feira (23), uma negociação com os representantes de onze categorias de caminhoneiros. Na quinta-feira (24), em uma nova tentativa o governo apresentou uma proposta de acordo para suspender a paralisação da categoria por 15 dias. Mesmo assim, a greve não encerrou.

Com falta de abastecimento de combustível, medicamento, alimentação e outros itens essenciais em vários estados, o governo utilizou a Força Federal, composta pelo Exército, Marinha, Aeronáutica, Força Nacional de Segurança e Polícia Rodoviária Federal, para intervir na greve.

A determinação autorizou que a Força Nacional desbloqueie as rodovias, liberando, inclusive, os acostamentos. De acordo com o Planalto, o decreto será publicado ainda nesta sexta-feira, em uma edição extra no “Diário Oficial da União”.

Além disso, o presidente Michel Temer encaminhou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando para que o órgão intervisse na greve, classificando-a como ilegal.

Em nota, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) pediu que os trabalhadores retirassem as interdições nas rodovias, mas que mantivessem as manifestações de forma pacífica, sem obstrução de vias. A medida foi para garantir a segurança dos caminhoneiros após o governo federal anunciar que iria intervir com a Força Federal.

Algumas horas depois, cerca de 45% das rodovias bloqueadas já haviam sido liberadas.

A greve e seus reflexos

Na maioria dos estados brasileiros, vários reflexos foram percebidos com a greve. Entre eles a redução nas frotas de ônibus; cidades decretaram calamidade pública e estado de emergência; falta de combustível, fila em postos e determinação de venda de gasolina somente para ambulâncias; aeroportos ficam sem combustíveis; racionamento de energia em nove cidades de Rondônia e escolas, universidades e outras entidades tendo aulas suspensas por conta da greve.

Reflexos no Amapá

No Amapá, os reflexos começaram a ser notados na sexta-feira (25), tendo como principal alvo o combustível. Houve registros de desabastecimento em alguns postos de Macapá, que, de acordo com o Sindicato dos Postos de Combustíveis do Amapá (Sindpostos), ocorreu por conta da demanda maior que o ofertado. Na quinta-feira (24), muitas pessoas enfrentaram filas enormes para fazer o abastecimento de seu veículo.

Além do medo de ficar sem gasolina, outra preocupação dos consumidores foi sobre o aumento no litro do combustível, que atualmente varia entre R$ 4 a R$ 4,50. Nos demais estados, o litro da gasolina já chegou a R$ 10 com a greve dos caminhoneiros.

Em entrevista ao portal de notícias do GEA, o secretário adjunto de logística da Secretaria de Estado da Administração (Sead), José Marlúcio Alcântara, disse que até o momento não há indicativos de que o Amapá será afetado pela greve, em relação ao combustível. 

 “O fornecimento para o Estado do Amapá se dá através de balsa que abastece diretamente na refinaria em Manaus, com armazenamento em Santana, por esse motivo, o risco de faltar o líquido é muito baixo”, explicou Alcântara.

O Sindicato das Empresas de Trânsito e Transporte de Passageiros do Amapá (Setap) após reunião com a Companhia de Trânsito do Amapá (CTMac) decidiu por reduzir a circulação do transporte público em Macapá.

Segundo a entidade, dos 190 ônibus da frota regular, houve redução de 30% dos veículos nos horários de pico e 50% nos demais horários. A iniciativa foi devido à preocupação com a falta de diesel, combustível utilizado para funcionamento do veículo.

 

 

De acordo com a Associação Amapaense de Supermercados, não houve desabastecimento de alimentos no estado. Entretanto, alguns produtos perecíveis comprados fora do estado podem faltar caso os caminhões não façam as entregas.

Nos hospitais, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que as unidades estão preparadas para atender as principais demandas nos próximos dias e que a situação sobre a greve dos caminhoneiros, afetando diretamente o fornecimento de medicamentos está sendo monitorada pelo órgão.

“A situação é monitorada para garantir a assistência à saúde da população. Entretanto se o problema persistir, alguns itens podem ter a entrega comprometida, e afetar o abastecimento como já vem acontecendo em outras unidades hospitalares do país”, diz um trecho da nota.

Protestos

Cerca de 40 caminhoneiros interditaram parcialmente um trecho da rodovia Duca Serra na manhã de sexta-feira (25). A interdição do trecho localizado entre Macapá e Santana iniciou nas primeiras horas de hoje, após o grupo fazer uma carreata. De acordo com os caminhoneiros, o ato deve continuar pelo resto do dia e dependendo da necessidade continuar nos próximos dias.

Com a interdição parcial da rodovia, o Batalhão de Policiamento Rodoviário Estadual (BPRE) fez um desvio por um terreno particular com o objetivo de fazer o trânsito fluir. Até o fechamento desta matéria, o trecho estava lento.

Na segunda-feira, o grupo realizou uma manifestação em favor do protesto nacional dos caminhoneiros.

 Redação