Cotidiano

Após fracasso na importação de vacina, avião que iria à Índia decola de Viracopos para levar oxigênio até Manaus





Voo, que iria para Mumbai pegar o imunizante de Oxford, foi reprogramado para auxiliar na crise sanitária que vive o Amazonas. Aeronave saiu de Campinas às 14h48 deste sábado.

avião que iria à Índia buscar dois milhões de doses da vacina de Oxford contra a Covid-19 decolou, na tarde deste sábado (16), do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), para levar cilindros de oxigênio a Manaus (AM)que vive um colapso na saúde

A aeronave, que estava no Recife (PE) desde quinta-feira (14), depois de sair de Campinas, e seguiria até Mumbai pegar o imunizante, precisou retornar à metrópole do interior de São Paulo na madrugada deste sábado, após o fracasso na negociação entre o governo brasileiro e a Índia para a importação da vacina.

A aeronave da Azul Linhas Aéreas A330neo, a maior da empresa, decolou às 14h48 do Aeroporto de Viracopos e tem previsão de chegada na capital amazonense às 19h, no horário de Brasília.

De acordo com a companhia, na aeronave que iria à Índia foram enviados 40 cilindros ao Amazonas, enquanto que um cargueiro, que também sairá de Viracopos, vai viajar à Manaus com outros 40 cilindros. Entretanto, a empresa não confirmou data e nem horário de partida. 

Além da carga, o transporte contará com concentradores de oxigênio e uma tonelada de máscaras. O volume de oxigênio em metros cúbicos não foi informado pela empresa aérea. 

Por meio de nota, a Azul informou que o pedido para levar oxigênio para a capital do Amazonas foi feito pelo Ministério da Saúde.

“O voo será feito pela mesma aeronave que partiria hoje [esta sexta] para Mumbai, na Índia, uma vez que a missão terá seu início reprogramado enquanto às questões diplomáticas entre os dois países são resolvidas e as doses da vacina Astrazeneca/Oxford possam ser trazidas ao Brasil”, disse o comunicado da companhia aérea.

A aeronave da companhia levará sua capacidade máxima para esse tipo de carga, segundo a nota. “Nossa intenção é ajudar o Brasil e os brasileiros e não mediremos esforços para oferecer apoio logístico no transporte de matérias para o combate à Covid-19. Estamos prontos para voar à Índia e também para transportar o que for necessário dentro do Brasil”, disse a empresa, no comunicado.

 

Voo adiado e fracasso na negociação

 

Na sexta-feira (15), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que vai atrasar até três dias a saída do Brasil do avião destacado para buscar na Índia 2 milhões de doses adquiridas do laboratório indiano Serum. 

A decolagem de Recife rumo a Mumbai iria acontecer às 23h de quinta-feira (14), depois do avião deixar o Aeroporto de Viracopos. No entanto, um atraso na adesivagem adiou a saída da capital pernambucana para o mesmo horário de sexta, o que também não aconteceu, mesmo após o Ministério da Saúde anunciar e confirmar a importação das doses da Índia, produzida pela universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. 

Segundo a pasta, o fracasso na negociação aconteceu por conta da "burocracia logística internacional entre os governos dos dois países". Na quinta-feira, um porta-voz da Índia disse que “é muito cedo para dar uma resposta”, sobre a exportação para o Brasil e outros países. Por conta do cancelamento da viagem, a aeronave foi reprogramada para auxiliar a crise sanitária no Amazonas.

A Índia, com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, começou a própria campanha de vacinação na mesma semana que o governo brasileiro decidiu que enviar o avião a Mumbai. 

As 2 milhões de doses da vacina de Oxford faz parte de um lote de importação solicitada pela Fundação Oswaldo Cruz ao laboratório Serum. A Índia responde pela produção de aproximadamente 60% das vacinas utilizadas no mundo. 

No Brasil, há a previsão, ainda, de utilização de 6 milhões de doses da Coronavac, vacina produzida pelo Instituto Butantan com tecnologia do laboratório chinês Sinovac. No entanto, os dois imunizantes ainda aguardam a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o pedido de uso emergencial. 

A Anvisa marcou para domingo (17) a reunião de sua diretoria para deliberar sobre os pedidos de autorização emergencial dessas duas vacinas.

Fonte: G1