Política

Bolsonaro diz que governo discutirá se infectados poderão tomar vacina contra Covid





Presidente ignorou episódio recente de reinfecção pela doença, além de pacientes que não desenvolveram níveis detectáveis de anticorpos

O presidente Jair Bolsonaro ignorou nesta quinta-feira (31) os casos de reinfecção pelo coronavírus e disse que o governo federal discutirá se aqueles que já contraíram a doença poderão ou não tomar a vacina.

Em live semanal nas redes sociais, o presidente afirmou que o assunto será definido pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e reafirmou que não pretende receber o imunizante.

"O que falta é acertarmos quem vai tomar e quem não vai tomar a vacina. Em parte, já estão definido os grupos. Mas, por exemplo, temos acertar com Anvisa e com a Saúde [se] quem já foi infectado lá atrás, se safou e já esta imunizado, se vai ter de tomar ou não. Se pode tomar ou não. No meu caso particular, como eu já fui infectado e e tenho anticorpos eu não vou tomar a vacina", disse.

O próprio Ministério da Saúde confirmou neste mês um caso de reinfecção pela doença no país. Além disso, há exemplos de pacientes contaminados pelo coronavírus que não desenvolveram níveis detectáveis de anticorpos.

Na transmissão online, o presidente também afirmou de maneira equivocada que a hidroxicloroquina não aumenta o risco de arritmia cardíaca, um dos efeitos colaterais do medicamento. Bolsonaro defende a utilização da substância como tratamento precoce contra a doença, apesar de não haver ainda comprovação científica.

"Não tem de ter medo da hidroxicloroquina. Ela não causa arritmia", disse. "Não faz mal a hidroxicloroquina. Comigo deu certo. Não fique no lero-lero. Eu tomei imediatamente a hidroxicloroquina. O tratamento precoce é a solução e a chave dessa questão", emendou.

O presidente criticou também os lockdowns adotados no país, entre eles em São Paulo, e disse que as operações policiais para retirar turistas das praias é um abuso. As medidas têm sido adotadas para evitar aglomerações no momento em que o país registrou 194 mil mortes.

"Isso é um abuso o que está acontecendo. Uma forma de blindar a Covid é a vitamina D. Então, você pega sol. E ficam dando ordem, igual a esse do governador de São Paulo, que não têm como ser cumprida", afirmou.

O presidente também chamou o governador de São Paulo, João Doria, de irresponsável e disse que ele deveria estra no meio do povo. Bolsonaro criticou o fato de Doria ter viajado de férias a Miami. Ele pediu desculpas e retornou a São Paulo após repercussão negativa.

"Governador de São Paulo, você é irresponsável. Até porque você perdeu a credibilidade quando fechou São Paulo e foi para Miami. Prezado João Doria, eu, como chefe do Executivo, tenho de estar no meio do povo. Você não sabe o que é sentir o cheiro do povo", afirmou.

O presidente reclamou ainda que os veículos de imprensa cobram que ele utilize máscara em ambientes públicos e afirmou que a proteção gerada pelos aparatos médicos é "praticamente zero". As entidades de saúde, no entanto, afirmam que as máscaras são cruciais para evitar o alastramento da doença.

Fonte: Folha de São Paulo