Política

Doria fala em esperar 48h por recuo do governo e não descarta acionar STF





O governador de São Paulo, João Doria (PSBD), disse hoje à noite que a intenção dos governadores é esperar ao menos até sexta-feira (23) para tomar uma medida sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de mandar cancelar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac. Doria comentou sobre uma possível judicialização da questão e não descartou acionar o STF (Supremo Tribunal Federal).

"Vamos esperar pelo menos 48 horas. Se até sexta-feira não houver nenhuma medida de recuo por parte do governo federal para fazer aquilo que deve fazer, apoiar as vacinas, inclusive a vacina do [Instituto] Butantan, que é a vacina do Brasil, nós saberemos quais medidas poderão ser adotadas, seja por São Paulo, seja pelos governadores", disse Doria a jornalistas na saída do STF, em Brasília.

O governador paulista cumpriu agenda na capital federal hoje em um dia tumultuado para a definição sobre a distribuição da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida e testada pelo Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Ontem, o ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse que o governo federal compraria as primeiras doses do imunizante, mas foi desautorizado hoje por Bolsonaro.

"Eu não trataria o meu ministro da Saúde como o presidente Bolsonaro trata o seu", comentou Doria, que citou uma nova reunião entre os governadores quanto perguntado se pretende entrar com uma ação no STF para garantir que a CoronaVac seja distribuída pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

"Os governadores deverão ter uma reunião nos próximos dias no fórum de governadores, isso já foi definido. Vamos aguardar essas 48 horas, e aí a maioria dos governadores saberá se posicionar", antecipou o governador paulista.

"Autoritarismo"

Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, Doria criticou a postura de Bolsonaro por voltar atrás no anúncio feito ontem por Pazuello.

"O presidente Bolsonaro, em menos de 12 horas, desautoriza o seu ministro, age com violência e autoritarismo, contraria uma decisão da ciência e de seu ministério. E coloca de novo um confronto político que não deveria existir. Vacina não pode ser objeto de nenhuma visão política, ideológica nem partidária", afirmou o governador.

Doria também comentou a alegação de Bolsonaro de que a CoronaVac ainda não teve seu registro aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), e por isso pode não ser eficaz contra a doença causada pelo novo coronavírus.

"Não é verdade. Estamos na terceira e última fase de testagem da vacina. (Se ela não tivesse eficácia), não estaria na terceira fase, como outras três que estão sendo testadas no Brasil. Ela é classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das oito vacinas mais promissoras do mundo", defendeu Doria.

Fonte: UOL