Política

Guedes culpa fogo amigo por metas não cumpridas





O ministro da Economia, Paulo Guedes, responsabilizou o “fogo amigo”, além da pandemia de covid-19, pelas metas não cumpridas durantes os seus 3 anos no governo. Em entrevista ao Estadão, publicada nesta 3ª feira (8.fev.2022), o economista admitiu “frustração” e disse que a aliança entre conservadores e liberais “funcionou politicamente para a eleição, mas a engrenagem não girou”.

“Não tive o apoio que tinha de ter. Nós entramos com uma plataforma que é o resultado de uma aliança de conservadores e liberais, que funcionou politicamente para a eleição, mas a engrenagem não girou”, avaliou o ministro.

Na opinião de Guedes, a aliança falhou em ambos os lados: “Essa aliança não conseguiu nem implementar as propostas dos conservadores, porque os liberais têm valores um pouco diferentes, nem as reformas liberais, porque às vezes têm fogo amigo dos conservadores”.

Mesmo depois de várias derrotas na aprovação de reformas e em pleno ano eleitoral, o ministro da Economia se mostrou confiante nos resultados de 2022. Afirmou que o mantém no governo “é um enorme senso de compromisso e de responsabilidade com 200 milhões de brasileiros”.

Leia abaixo outros tópicos abordados e o que disse o ministro da Economia:

  • REFORMAS – “Há uma frustração nossa com o ritmo das reformas.”
  • PRIVATIZAÇÕES – “No ano passado, as privatizações não andaram. Alguns liberais deixaram o governo por causa disso. (…) eu acho que faremos agora: Correios, Eletrobras, Porto de Vitória, Porto de Santos e os aeroportos Santos Dumont e Congonhas.”
    “Achávamos que, depois dos escândalos do mensalão e do petrolão e dos problemas na Caixa, haveria vontade política de reduzir a corrupção sistêmica –e ela só será reduzida quando avançarmos com as privatizações. É evidente que a corrupção foi reduzida agora, por uma questão moral, por pressão da sociedade e por não haver aparelhamento político na máquina estatal. Agora, olha a dificuldade para fazer a privatização dos Correios.”
  • METAS NÃO CUMPRIDAS – “Eu cometi um erro. Sabem qual foi? Dividi com vocês essas metas todas que eu tinha e a oposição a essas mudanças importantes, dentro e fora do governo, rapidamente descredenciava os projetos mais ambiciosos. Os oposicionistas, que sempre foram contra as reformas, ganhavam uma força adicional de gente de dentro. Sempre houve fogo amigo, sempre há e sempre haverá.”
    “Eu percebi que você consegue mais se não compartilhar tanto as metas, porque as narrativas nem sempre são construtivas. São parte de uma cultura de quem não quer reconhecer que perdeu a eleição. Por isso, tenho falado menos.”
  • APOIO POLÍTICO – “Não tive o apoio que tinha de ter.”
    “Com as mudanças no PSL, que era o partido de sustentação do governo, a situação ainda ficou mais complicada. O governo só encontrou eixo parlamentar agora, nos últimos 2 anos.”
    “Nós entramos com uma plataforma que é o resultado de uma aliança de conservadores e liberais, que funcionou politicamente para a eleição, mas a engrenagem não girou. Essa aliança não conseguiu nem implementar as propostas dos conservadores, porque os liberais têm valores um pouco diferentes, nem as reformas liberais, porque às vezes têm fogo amigo dos conservadores.”
  • AGENDA LIBERAL – “Mesmo que o Brasil tenha constatado a corrupção no sistema político, orgânica, sistêmica, e tenha vivido uma estagnação econômica de 3 ou 4 décadas, mesmo com o mensalão e o petrolão, é surpreendente que a elite brasileira ainda não tenha compreendido a necessidade de fazer essa transição incompleta, com a transformação estrutural do Estado. É surpreendente essa inapetência pelo avanço das reformas liberais.”
  • REFORMAS EM ANO ELEITORAL – Segundo Guedes, Senado e Câmara estão engajados. “Acho que tem chance de sair a mudança no Imposto de Renda. Acredito que vão sair também as privatizações dos Correios e da Eletrobras.”
  • PESSIMISMO DE ECONOMISTAS PARA 2022 – “Somos o único país que já está de novo onde estava antes da pandemia chegar. Eu disse que isso iria acontecer, mas as pessoas não entenderam direito. Eu não faço previsões, mas acredito que neste ano a economia vai crescer mais.”
  • REDUÇÃO DE IMPOSTOS – “A redução do IOF exigida pela OCDE vai ocorrer muito devagarzinho. Começa com um corte de 1,5% daqui a 2 anos. Depois, vai baixando até zerar. Zera em 8 anos. Agora, no caso do IPI, a ideia é fazer já. Nós estamos estudando uma redução linear de 25% a 50% para o IPI, o quanto antes.”
    “’Ah, mas metade do dinheiro do IPI é dos Estados e municípios’. Paciência.”
  • AUMENTO DO SALÁRIO DE FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS – “A reposição salarial para o funcionalismo significa que eles não vão pagar pela guerra contra a pandemia. No mundo inteiro assalariados, pensionistas, gente que tem poupança perderam poder de compra. A pandemia tirou renda de todo mundo. A nossa geração pagou pela guerra. Por isso, digo que nós não precisamos fazer ajuste nenhum.”
  • PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS – “Não é o Bolsonaro que está fazendo o petróleo subir lá fora nem o ministro Paulo Guedes, assim como não sou eu quem controla o regime de chuvas e está subindo a tarifa de eletricidade.”
    “A gente tem simpatia pela ideia de zerar os tributos do óleo diesel, cujo impacto fiscal deve ser de cerca de R$ 17 bilhões ou R$ 18 bilhões ao ano.”
  • PEC DOS PRECATÓRIOS – “O negócio dos precatórios é muito simples. Tinha uma despesa crescendo. Quando estava tudo pronto para enviar ao Congresso o projeto de criação do Auxílio Brasil de R$ 300, dentro do teto, tendo como fonte de recursos o imposto de renda sobre juros e dividendos, tudo casado, caiu um meteoro no Ministério da Economia, com um aumento de 100% nas despesas do Judiciário. (…) Os precatórios agora têm de seguir a mesma exigência de submissão ao teto. Eles nunca mais vão dar um susto na gente.”
  • AUXÍLIO BRASIL – “Nada disso se originou da equipe econômica. A ideia de rever o valor do Auxílio Brasil veio da política, porque estavam dizendo que as pessoas estão comendo ossos, passando fome, e que a pandemia reduziu o Brasil à miséria. A solução técnica para fazer isso também foi sugerida pela política.”
  • PERMANÊNCIA NO GOVERNO – “A força que me mantém aqui é um enorme senso de compromisso e de responsabilidade com 200 milhões de brasileiros, que eu sei que pude ajudar e que estou ajudando em uma base diária.”

 

- Flávio Bolsonaro e líder do governo assinam PEC chamada de "bomba fiscal" por Guedes 

 

Em contraposição à equipe econômica, lideranças do governo no Senado assinaram a proposta de emenda à Constituição que prevê mudanças para baratear o preço dos combustíveis, do gás de cozinha e da energia elétrica até 2023, sem apresentar uma fonte de compensação. A proposta tem sido chamada pelo Ministério da Economia de “PEC Kamikaze” e de “bomba fiscal” pelo ministro Paulo Guedes. O impacto fiscal da medida é estimado pelo governo em R$ 100 bilhões para os cofres da União.

 

Um dos apoiadores da PEC é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do presidente, que pediu nessa segunda-feira a inclusão de seu nome. Outro é o líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO). As assinaturas de Flávio e Gomes reforçam o entendimento de que o presidente Jair Bolsonaro apoia a iniciativa do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que reuniu na sexta passada as 27 assinaturas necessárias para o início da tramitação da PEC. O presidente tem investido em medidas populares na tentativa de reverter seus elevados índices de rejeição. 

 

Outros senadores alinhados ao governo também apoiam a proposta, como Márcio Bittar (PSL-AC), Marcos Rogério (PL-RO), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Chico Rodrigues (DEM-RR), Wellington Fagundes (PL-MT) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). O ex-líder do governo no Senado Fernando Bezerra (MDB-PE) também é signatário da PEC.

 

Veja a lista dos autores da PEC dos Combustíveis:

 

Carlos Fávaro (PSD/MT),
Alexandre Silveira (PSD/MG),
Plínio Valério (PSDB/AM),
Mailza Gomes (PP/AC),
Davi Alcolumbre (DEM/AP),
Otto Alencar (PSD/BA),
Angelo Coronel (PSD/BA),
Vanderlan Cardoso (PSD/GO),
Nelsinho Trad (PSD/MS),
Zequinha Marinho (PSC/PA),
Rodrigo Cunha (PSDB/AL),
Omar Aziz (PSD/AM),
Daniella Ribeiro (PP/PB),
Giordano (MDB/SP),
Chico Rodrigues (DEM/RR),
Carlos Portinho (PL/RJ),
Marcos Rogério (PL/RO),
Eduardo Gomes (MDB/TO),
Marcio Bittar (PSL/AC),
Lucas Barreto (PSD/AP),
Carlos Viana (MDB/MG),
Jayme Campos (DEM/MT),
Luiz do Carmo (MDB/GO),
Telmário Mota (PROS/RR),
Izalci Lucas (PSDB/DF),
Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE),
Fernando Bezerra Coelho (MDB/PE),
Luis Carlos Heinze (PP/RS),
Mecias de Jesus (REPUBLICANOS/RR),
Wellington Fagundes (PL/MT)

 

O texto de Fávaro prevê o repasse de até R$ 5 bilhões a estados e municípios, para projetos de mobilidade urbana que beneficiem idosos. Também cria um auxílio diesel de R$ 1,2 mil para caminhoneiros e aumenta de 50% para 100% o subsídio ao gás de cozinha para famílias de baixa renda. Além disso, diminui impostos federais sobre os combustíveis e a energia elétrica.

 

Fonte: Poder360 - Congresso em Foco