Política

Bolsonaro chama mercado de nervosinho e diz que combustíveis vão aumentar





O presidente Jair Bolsonaro afirmou que o preço dos combustíveis no Brasil “está mais barato” do que em outros países e terá “outro aumento” nas próximas semanas –sem especificar a data.

Segundo o chefe do Executivo, o mercado financeiro está “nervosinho” e poderá sair prejudicado caso “exploda a economia do Brasil”. Para o presidente, a inflação que o país enfrenta é “péssima“, mas evita o desabastecimento de outros insumos básicos, como a gasolina, o diesel e os alimentos.

“Temos como vencer essa crise. Vai ter novo aumento de combustível? Certamente teremos. Não vou negar isso daí. Estou buscando solução. […] Aí fica o mercado nervosinho. Se vocês explodirem a economia do Brasil, pessoal do mercado, vocês vão ser prejudicados também. Querem acreditar na minha palavra ou na da Miriam Leitão?“, afirmou em transmissão ao vivo nas redes sociais.

AUXÍLIO BRASIL

Bolsonaro afirmou que o novo programa social deverá pagar, no mínimo, R$ 400 para todos os beneficiários e ficará “dentro do teto de gastos”.

“Vocês acham que eu podia não fazer nada, no tocante ao Bolsa Família, Auxílio Brasil? Em um momento de crise como esse… Deixar essas pessoas desempregadas morrer de fome? Não podia fazer isso”, afirmou.

Depois do fechamento do mercado, 4 secretários do Ministério da Economia pediram demissão depois de manobra na Câmara para mudar a regra fiscal.

O relator da PEC dos Precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu em seu parecer mudança no teto para abrir um espaço de R$ 83 bilhões no Orçamento do ano que vem. O objetivo do governo é usar parte desse valor para bancar o Auxílio Brasil.

O mercado reagiu mal ao movimento. O dólar teve alta de 1,92%, cotado aos R$ 5,67. O Ibovespa, principal índice da B3 (Bolsa de Valores de São Paulo), caiu 2,75%, aos 107.735 pontos.

CRITICA CPI DA COVID

Bolsonaro voltou a criticar os integrantes da CPI da Covid no Senado. Sugeriu que o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), são envolvidos com irregularidade.

O colegiado apresentou o relatório final com os resultados das investigações. O documento acusa 72 pessoas e empresas de supostos crimes na pandemia. São, além do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), atuais e ex-integrantes do alto escalão do governo federal, congressistas, empresas e seus dirigentes, médicos, pesquisadores e influenciadores bolsonaristas

Bolsonaro diz estar com a “consciência tranquila”.

- Bolsonaro diz à CNN que Paulo Guedes fica no governo

Situação de Guedes foi alvo de especulações após a saída de quatro secretários do Ministério da Economia nesta quinta

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou à CNN que o ministro da Economia, Paulo Guedes, segue no governo, apesar da saída de membros de sua equipe.

“Paulo Guedes continua no governo e o governo segue com a agenda de reformas. Defendemos as reformas, que seguem no Congresso Nacional”, afirmou Bolsonaro

A situação de Guedes foi alvo de especulações após a saída de quatro secretários da pasta nesta quinta. O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo, pediram exoneração.

A debandada foi motivada pela insatisfação dos membros da Economia com a insistência do governo em manter o valor do Auxílio Brasil em R$ 400. Segundo a analista de política da CNN Renata Agostini, a pasta defendia pagamentos mensais de R$ 300 — o que caberia dentro do teto de gastos. A versão final para o Auxílio Brasil, no entanto, foi formulada pela ala política.

- Bolsonaro recicla fakes estrangeiras sobre vacinas contra covid e máscaras

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reciclou conteúdos falsos estrangeiros para mentir sobre as vacinas contra a covid-19 e o uso de máscaras na live.

Bolsonaro deu dados falsos sobre a vacinação contra a covid no Reino Unido, apresentou uma tese fantasiosa sobre efeitos colaterais dos imunizantes e reproduziu uma alegação mentirosa sobre supostos danos do uso de máscaras.

Todas as vacinas contra a covid disponíveis no Brasil são seguras e eficazes, e tiveram seu uso autorizado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Elas têm sido essenciais para a redução no número de mortes e internações por causa da doença. Diversos estudos já comprovaram que o uso de máscara é peça-chave para conter a disseminação do coronavírus.

Veja o que o UOL Confere checou:

Temos um estudo aqui do Reino Unido onde 70% dos mortos com covid estavam vacinados. Não vou tecer comentários (...). Então, 70% dos mortos por covid no Reino Unido estavam vacinados."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

A declaração do presidente é FALSA. Os completamente vacinados — que receberam as duas doses — representaram menos de 1% das mortes por covid no Reino Unido nos seis primeiros meses do ano.

De acordo com dados divulgados em setembro pelo ONS, órgão de estatísticas do governo britânico, apenas 458 das 51.281 pessoas que morreram de covid entre 2 de janeiro e 2 de julho de 2021 tinham completado o ciclo vacinal há mais de 21 dias — tempo considerado seguro.

A alegação de Bolsonaro vem de uma desinformação que circulou nos EUA e na Europa em julho, que distorcia os dados de uma pesquisa do governo britânicosobre as variantes do coronavírus.

O estudo não trazia nenhum dado sobre o total de mortos pela covid entre vacinados, e informava apenas a proporção de vacinados entre os mortos pela variante delta, naquele momento a mais recente em circulação no país.

A pesquisa mostrava que, entre 1º de fevereiro e 21 de junho, 117 pessoas morreram por causa da variante delta, e que 62% delas eram adultos que haviam tomado pelo menos uma dose da vacina. No entanto, naquele momento, a delta representava apenas 3% das 4.408 mortes por covid ocorridas no Reino Unido.

Ou seja: o conteúdo falso tratou a proporção de vacinados entre os mortos pela variante delta como se fosse a fatia de vacinados entre todas as vítimas da covid.

Ao jornal norte-americano USA Today, que checou o conteúdo em julho, o governo britânico disse que ainda não existiam dados suficientes para fazer qualquer avaliação. Em setembro, com os dados do ONS, os resultados deixaram clara a importância da vacinação para a redução de mortes pela covid.

Relatórios oficiais do governo do Reino Unido sugerem que os totalmente vacinados [...] estão desenvolvendo a síndrome de imunodeficiência adquirida muito mais rápido do que o previsto."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

A declaração do presidente é FALSA. Em outra mentira envolvendo o Reino Unido, o presidente cita inexistentes "relatórios oficiais" para afirmar que vacinados têm mais facilidade para desenvolver síndrome de imunodeficiência adquirida (Aids), quando não há nenhum estudo que indique isso.

Ao contrário, a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda que portadores de HIV que estejam em fase Aids, com imunidade muito baixa, não só se vacinem como tomem a dose de reforço, algo já disponibilizado no Brasil para imunossuprimidos 28 dias após a segunda dose.

Também não há nenhuma evidência que portadores de HIV desenvolvam mais efeitos colaterais do que a população em geral, de acordo com a Sociedade de Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (IDSociety).

No documento de perguntas e respostas atualizado em 26 de setembro, a IDSociety afirma que os efeitos colaterais em portadores de HIV "ainda estão sendo estudados", mas os dados atuais não sugerem mudanças para este grupo.

"Os efeitos colaterais mais comuns entre os participantes incluem dor e inchaço no local da injeção, fadiga e dor de cabeça. Um número inferior relatou febre. Estes efeitos colaterais não duraram mais do que poucos dias, no máximo", diz o texto.

A "fonte" do que Bolsonaro falou é um texto anônimo publicado em um site em inglês recheado de teorias da conspiração, onde qualquer pessoa pode publicar qualquer coisa sem se identificar.

O doutor [Anthony] Fauci dizendo, em um artigo de 2008, que a maioria das vítimas da gripe espanhola não morreu de gripe espanhola. Sabe do que eles morreram, na verdade? De pneumonia bacteriana causada pelo uso de máscaras."Presidente Jair Bolsonaro em live semanal

Mais uma declaração FALSA do presidente que também é uma fake news antiga e vinda do exterior. O estudo citado por Bolsonaro existe, mas sequer cita máscaras.

Anthony Fauci, um imunologista e conselheiro médico do presidente dos EUA, Joe Biden, publicou com mais dois pesquisadores em 2008 um artigo com os resultados de uma análise de tecidos e autópsias de vítimas da gripeespanhola, em 1918, e descobriram que vários deles tiveram pneumonia bacteriana.

No entanto, uma coisa não exclui a outra, como disse Bolsonaro. O estudo conclui que o vírus da gripe espanhola facilitou com que as pessoas desenvolvessem também pneumonia bacteriana.

Esta alegação falsa circulou nos EUA entre outubro e novembro do ano passado, e já tinha sido checada por diversos veículos de imprensa estrangeiros, como USA TodayReuters e PolitiFact.

Confira outras notícias:

- Vice-presidente inaugura sede de organização de cooperação amazônica

Organização internacional envolve países amazônicos na América do Sul

O vice-presidente Hamilton Mourão participou em Brasília, da inauguração da sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), um organismo intergovernamental formada por oito países amazônicos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. Esses países são signatários do Tratado de Cooperação Amazônica. A OTCA é o único bloco socioambiental da América Latina. 

Desde o início do ano passado, Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal e tem coordenado as ações do governo de enfrentamento ao desmatamento e de combate às queimadas no bioma, que é a maior floresta tropical do planeta e alvo da atenção internacional.

"Reafirmamos, em diferentes foros internacionais, nosso compromisso de fazer da OTCA a organização de referência em matérias de cooperação regional, de diálogo político e de posicionamento comum sobre temas da agenda internacional relativos à Amazônia", afirmou.

"Única organização multilateral sediada em território brasileiro, a OTCA é um patrimônio da diplomacia regional e conta com vasta experiência na condução do diálogo político e da cooperação regional em benefício dos países amazônicos", destacou o vice-presidente, durante a inauguração da sede.

No mês passado, Mourão se reuniu com um grupo de diplomatas, parlamentares e jornalistas estrangeiros no Pará. A comitiva realizou uma viagem pela Amazônia brasileira para conhecer a realidade regional e as ações públicas para preservação do bioma e desenvolvimento econômico da região.

Em seu discurso, o vice-presidente fez um balanço à frente do Conselho da Amazônia, destacando as ações das Forças Armadas na região, e outras iniciativas de governo para conter atos ilícitos. 

"O governo brasileiro recorreu de maneira excepcional às Forças Armadas para apoiar o combate aos crimes ambientais. Aprimoramos os sistemas de monitoramento e apoio à tomada de decisão, além de intensificarmos os programas de regularização ambiental e fundiária. Autorizamos novas contratações para agências de fiscalização ambiental e ampliamos o engajamento de outras forças de segurança pública, como a Polícia Federal e a Força Nacional, no combate aos ilícitos ambientais."

"Graças a essas e outras medidas, conseguimos reverter a trajetória de aumento do desmatamento que recebemos no início do governo e estamos assegurando as condições para uma redução mais acelerada nos próximos meses", comentou.

- Secretário de Petróleo e Gás pede demissão do governo

José Mauro Coelho deve retornar à iniciativa privada

O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro Coelho, pediu demissão do cargo. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (21) pela assessoria da pasta. Não houve informação sobre as razões da demissão e nem sobre quem o substituirá.

Mauro Coelho estava no cargo desde abril de 2020. Antes, trabalhou na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal do governo responsável pelo planejamento do setor elétrico.

"Após cerca de 14 anos no serviço público, dos quais quatro como Diretor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e um ano e meio como Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro Ferreira Coelho deixa o serviço público", informou o MME.

Segundo a pasta, após o período regulamentar de quarentena, José Mauro retornará ao setor energético nacional para atuar na iniciativa privada.

- Com Michelle Bolsonaro de palhaça, Mario Frias lança apoio a circo e ataca artistas

No entanto, fora a distribuição de cartilha e o anúncio, ações da campanha não foram especificadas pela Secretaria da Cultura

O governo federal promoveu um evento em Brasília para lançar uma campanha chamada "Respeitável Circo!", destinada a artistas e produtores do ramo circense. Entre os presentes na solenidade, estavam a primeira-dama Michelle Bolsonaro, caracterizada como palhaça e identificada em uma plaqueta como "doutora Florinda", e o secretário especial de Cultura Mario Frias.

A respeito da campanha, Frias foi ao Twitter ressaltar a importância das atividades circenses que, diz ele, são "uma área por muito tempo desvalorizada, por não servir ao glamour que movimentava a elite artística que monopolizava as verbas públicas da Cultura". As artes circenses, diga-se, são contempladas na política de incentivo à cultura desde 1991 sob a categoria das artes cênicas.

Dados da Fundação Nacional das Artes, a Funarte, apontam a existência de quase 700 circos em atividade no país em julho de 2020 —a maior parte deles formada grupos familiares, que raramente possuem as ferramentas necessárias para formatar projetos e se inscrever em editais.

A cerimônia não apresentou detalhes específicos da iniciativa organizada por diversos ministérios, mas houve a distribuição de uma cartilha com sugestões para que gestores municipais resolvam problemas como a falta de terreno adequado para montagem de lonas e dificuldades no acesso à educação e à saúde com a inclusão de populações em situação de rua, circense e povos ciganos nômades no programa Conecte SUS.

"Sugerimos o acolhimento dos circenses, por meio de agentes públicos conhecedores das peculiaridades dos povos itinerantes. Nos municípios menores, recomendamos a existência de um ponto focal (alguém capacitado para entender as diferentes necessidades dos circenses e dialogar com as áreas gestoras)", aponta a cartilha.

Além disso, o evento também anunciou o selo Município Amigo do Circo, uma premiação nacional para cidades que apoiam o setor e que deve ocorrer no primeiro semestre de 2022. À parte isso, não foram detalhadas outras particularidades e ações do programa, tampouco destrinchado no Diário Oficial da União. ​

"Sabemos o quanto o mundo precisa de sorrisos. E essa é a missão do circo: impactar vidas por meio da arte", sintetizou a primeira-dama em discurso no evento. Também estiveram presentes outras autoridades como o presidente da Funarte, Tamoio Marcondes, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, além do ministro do Turismo, Gilson Machado Neto.

O movimento ocorre um mês após a Aliança Nacional de Entidades de Circos e de Artistas Circenses do Brasil, composta por associações e sindicatos, promover um encontro virtual com Marcondes, da Funarte, e exigir, entre outras reivindicações, cestas básicas para artistas que passam fome devido à falta de trabalho.

- Bolsonaro apela a presidente da África do Sul por Crivella, mas país segue sem dar aval

 

Indicação do ex-prefeito do Rio para comandar embaixada brasileira em Pretória foi feita há mais de quatro meses

 

Em uma chamada telefônica mantida fora da agenda com o líder da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez um apelo direto para que o país africano dê luz verde para a indicação do ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos) a embaixador em Pretória.

 

No entanto, de acordo com auxiliares palacianos, Ramaphosa não deu garantias a Bolsonaro sobre a aceitação de Crivella, o que tem sido interpretado por assessores como o mais forte sinal de que o nome do bispo licenciado da Igreja Universal não é bem aceito pelos sul-africanos.

 

O governo Bolsonaro encaminhou no início de junho um pedido de concessão de agrément a Crivella. No jargão diplomático, trata-se de uma consulta a um país que pode vir a receber um novo embaixador.

 

Quando há contrariedade, a praxe é que a solicitação não seja respondida. No caso do pedido de Crivella, são mais de quatro meses sem que Pretória se manifeste sobre a indicação do ex-prefeito do Rio.

 

A ligação entre Bolsonaro e Ramaphosa ocorreu em 7 de outubro. Interlocutores disseram à Folha que, quando o presidente brasileiro abordou a situação de Crivella, Ramaphosa afirmou que a decisão caberia ao Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul.

 

A resposta evasiva consolida a percepção de que o país africano tem objeções à indicação, já que o agrément permanece sem resposta mesmo após uma solicitação feita por Bolsonaro ao líder sul-africano.

 

Lá fora

Na newsletter de Mundo, semanalmente, as análises sobre os principais fatos do globo, explicados de forma leve e interessante.

 

Crivella esteve em Brasília nesta quinta-feira (21) para um encontro com o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB). Ele não deu declarações à imprensa após a reunião. Mourão, por sua vez, disse que não tratou da indicação diplomática com o ex-prefeito. "Que eu saiba, esse processo está parado. Mas ele não tocou nesse assunto, nós conversamos sobre a questão política no Rio de Janeiro", afirmou.

 

O envio de Crivella para chefiar a embaixada brasileira em Pretória é uma maneira de Bolsonaro agradar a Igreja Universal do Reino de Deus, que no momento atravessa uma crise no continente africano.

 

A situação mais grave para a igreja comandada pelo bispo Edir Macedo ocorre em Angola, onde religiosos locais se rebelaram e passaram a acusar lideranças brasileiras da Universal de crimes financeiros.

 

Assim, o racha da Universal se converteu num ponto de atrito entre os governos de Brasil e Angola.

 

Um dos capítulos mais tensos dessa crise ocorreu em meados de maio, quando 34 brasileiros ligados ao trabalho missionário receberam a notificação em Luanda de que seriam deportados. A igreja passou então a cobrar de Bolsonaro um maior envolvimento do Itamaraty na defesa da instituição no país africano.

 

Com proporções menores, a Universal enfrenta ainda tensões na África do Sul e em Moçambique.

 

De acordo com interlocutores, autoridades de Angola e de Moçambique fizeram chegar à administração Ramaphosa preocupações de que Crivella venha a transformar a embaixada brasileira em Pretória em uma espécie de posto avançado da Universal no continente. Além da oposição dos dois países, a escolha causou constrangimento no Itamaraty e criou uma saia-justa doméstica para o governo Ramaphosa.

 

O impasse sobre o nome de Crivella também tem consequências, ao menos no curto prazo, no nível de representação do Brasil na África do Sul. O atual embaixador, Sérgio Danese, é um dos diplomatas mais graduados do Itamaraty e permaneceu na África do Sul por apenas cerca de um ano —o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, resolveu deslocá-lo para chefiar a missão brasileira no Peru.

 

Danese foi sabatinado pelo Senado na terça (19) e, a partir de agora, a embaixada brasileira em Pretória ficará sob o comando interino de um encarregado de negócios. A presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu (PP-TO), criticou a substituição de Danese durante a sabatina.

 

"Quero registrar o meu desânimo em relação a essa transferência. Não que o Peru não seja um país importante —é também um país importante—, mas a África do Sul é um país especial", afirmou ela.

 

"Eu tenho a convicção, com toda a falta de especialidade, que ele [Danese] seria muito mais útil ao Brasil e às nossas relações se tivesse permanecido lá no seu posto que está ainda até hoje."

- Após assumir o Congresso, Centrão agora dá as cartas no Ministério da Economia

Bolsonaro, que amarga os piores índices de popularidade do mandato, foi convencido pelos aliados do Centrão de que, se nada de significativo for feito na área social, as chances de ele chegar ao segundo turno da disputa pela reeleição em 2022 podem ficar ainda mais distantes

Depois de assumir o controle das articulações do governo com o Congresso, o Centrão dá sinais de que mantém influência, também, nas decisões do Ministério da Economia. O titular da pasta, Paulo Guedes, tem deixado de lado a cartilha liberal e aderido aos interesses políticos dos caciques dos partidos que apoiam o Planalto. Sem entregar o que prometeu, e ainda mais desgastado após o caso de sua offshore em um paraíso fiscal, o economista já não tem o mesmo protagonismo dos tempos de superministro.

O presidente Jair Bolsonaro, que amarga os piores índices de popularidade do mandato, foi convencido pelos aliados do Centrão de que, se nada de significativo for feito na área social, as chances de ele chegar ao segundo turno da disputa pela reeleição em 2022 podem ficar ainda mais distantes do que apontam as últimas pesquisas. Nessas conversas, os principais interlocutores são os ministros da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), e da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (PL), além do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O governo corre contra o tempo para resolver o impasse fiscal em torno do Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Os últimos depósitos do auxílio emergencial serão feitos neste mês. Pressionado pelas circunstâncias e pelo Centrão, Guedes admitiu que pediria uma “licença” para realizar despesas com o novo programa fora da regra constitucional que impede o aumento dos gastos da União acima da inflação.

O ministro confirmou que o Auxílio Brasil será de R$ 400 e que parte das despesas com a nova política social, cerca de R$ 30 bilhões, deverá ser feita fora do teto de gastos até dezembro de 2022. Inicialmente, a ideia da equipe econômica era de que o valor do benefício fosse de R$ 300, mas, também por pressões do Centrão, Guedes concordou em aumentá-lo, mesmo sem a definição de uma fonte de recursos para bancar o programa.

O ministro da Economia aposta que a forma de viabilizar o Auxílio Brasil de R$ 400 será decidida pelo relator da PEC dos precatórios, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele também tem reclamado da demora do Senado para votar a reforma do Imposto de Renda, uma outra alternativa para garantir o custeio do programa.

O mercado reagiu mal à guinada de Guedes, que, num passado nem tão distante, chegou a comprar briga com ministros que ele chamou de “fura-teto”, entre os quais, o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. O dólar fechou no maior valor desde 14 de abril, e o Ibovespa, com a menor pontuação desde 23 de novembro de 2020.

Debandada

A própria equipe do Ministério da Economia desaprovou o afrouxamento da política fiscal proposto por Guedes. Ontem, quatro deles pediram exoneração, entre os quais, o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt.

Guedes também tem sido alvo de críticas dos que apontam populismo na ideia de turbinar o valor do Auxílio Brasil apenas até o fim de 2022, um ano eleitoral. O ministro tem argumentado que a “licença” para gastar acima do teto seria temporária, necessária, segundo ele, para atender às famílias mais vulneráveis afetadas pela inflação.

O Centrão também tem ditado o ritmo da liberação de recursos de emendas parlamentares. O total aprovado para este ano é de R$ 33,8 bilhões, o que inclui R$ 16,8 bilhões relativos às emendas do relator-geral do Orçamento da União no Congresso, também chamadas de RP9. Ao contrário do que ocorre com as emendas parlamentares individuais e de bancada, nas do relator não há transparência sobre as indicações das verbas, e os acordos são firmados entre a cúpula do Congresso e o Executivo, privilegiando alguns poucos parlamentares. Dessa forma, fica mais difícil fiscalizar se o dinheiro está sendo bem aplicado ou se houve barganha em troca de apoio político, por exemplo.

 

Fonte: Poder360 - CNN Brasil - UOL - Folha - Agência Brasil