Política

Bolsonaro: Vale a pena ser presidente, não tem comunista na minha cadeira





O presidente Jair Bolsonaro disse nesta 6ª feira (17.set.2021) que sofre em seu cargo, mas que nenhuma crítica o abala. Voltou a dizer que só Deus pode retirá-lo da presidência. Deu a declaração em evento de lançamento do projeto Pró-Águas Brasileiras, em Arinos (MG).

Apesar da dificuldade, dos ataques, das calúnias, difamações, entre outras barbaridades, vale a pena ser presidente da República. Porque uma das coisas que mais me conforta é saber que, naquela minha cadeira em Brasília, não está sentado um comunista”, disse o chefe do Executivo.

No discurso, diferente do que fazia antes da publicação da carta escrita pelo ex-presidente Michel Temer, Bolsonaro evitou citar os nomes de seus desafetos. “Não vamos nominar, vamos apenas trabalhar, vamos acreditar, tenhamos certeza que temos tudo para sermos grande nação”. Também disse:

“Vamos aos poucos mudando o destino do Brasil. Tudo pode ser renovado. Como renova o Executivo, o Legislativo e também o Judiciário”.

Participaram do evento o governador Romeu Zema (Novo-MG), o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, e congressistas representantes de Minas Gerais.

A viagem de Bolsonaro a Arinos é a 1ª do dia. Às 13h, segue para Mara Rosa (GO) para participar da cerimônia de início das obras da FICO (Ferrovia de Integração Centro-Oeste).

No evento em Arinos, o chefe do Executivo falou sobre o discurso que fará na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York.

“Na próxima 3ª feira, estarei na ONU, participando do discurso inicial daquele evento. Podem ter certeza: lá, teremos verdades, realidade do que é o nosso Brasil e do que nós representamos verdadeiramente para o mundo”.

O presidente elogiou o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Augusto Nardes, que participou do lançamento em Minas Gerais. “Nardes dá exemplo para todos nós. É um ministro do TCU, mas também um produtor rural. Como tal, se preocupa com a preservação e com o futuro do seu país. O agronegócio nos orgulha”.

Pró-Águas

Iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Regional, o projeto Pró-Águas Urucuia é um dos 26 aprovados pelo Programa Águas Brasileiras, que busca incentivar ações de revitalização de bacias hidrográficas. 

Segundo o governo, a iniciativa tem como objetivo atender 14 cidades de Minas Gerais e Goiás e contará com R$ 105,8 milhões em investimentos para promover a conservação do solo e da água e a recomposição da vegetação nativa em dois mil hectares de áreas degradadas do Rio Urucuia.

Além do anúncio do projeto, o governo divulgou a entrega de 371 máquinas e equipamentos. O investimento no maquinário, que poderá ser utilizado pelas prefeituras na revitalização de áreas degradadas e em atividades diversas de produção e apoio, foi de R$ 17,7 milhões. 

Os recursos foram investidos pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), instituição vinculada ao MDR.R.

- “Não há espaço para terceira via”, diz Lula

O ex-presidente  Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17) que não há espaço para a terceira via nas disputas eleitorais de 2022. “A terceira via tem que me derrotar no primeiro turno, ou derrotar o Bolsonaro no primeiro turno. Não há espaço para terceira via se não houver uma mudança brusca no espaço político nacional”, disse o ex-presidente em entrevista à Rádio Sagres, de Goiânia. 

Questionado sobre os efeitos das manifestações promovidas pelo Movimento Brasil Livre no último domingo (12),que busca viabilizar a terceira via nas eleições de 2022, o petista afirmou que nunca acreditou na capacidade de mobilização do MBL. Segundo ele, Bolsonaro ainda tem uma base de apoio considerável. Por isso, na avaliação dele, a disputa tende a ficar entre os dois.

“Eu penso que nós estamos caminhando para uma disputa política entre o PT representando setores democráticos da sociedade, e o Bolsonaro representando setores fascistas da sociedade”, afirmou. 

O ex-presidente afirmou que os partidos não devem formar uma frente ampla com o propósito de destituir apenas a figura política de Bolsonaro. Na avaliação dele, o movimento deve retirar do poder um programa de “destruição da política econômica brasileira” e colocar em seu lugar outro modelo que seja capaz de "reconstruir o Brasil". "Se a frente ampla for apenas tirar o Bolsonaro e manter o Guedes, para que essa frente ampla? Para manter tudo como estar? Para manter o povo esquecido? Para manter o povo passando fome?"

Lula também disse não acreditar na veracidade da nota assinada por Bolsonaro, em costura com o ex-presidente Michel Temer, para arrefecer a crise entre os Três Poderes após as manifestações do dia Sete de Setembro. Na análise dele, o presidente assinou a nota porque estava “muito desmoralizado e fragilizado”. 

“Eu não sei se alguém acreditou na nota feita pelo Temer para o Bolsonaro, não sei se alguém acreditou que o Bolsonaro estava falando sério. Na verdade, o Bolsonaro assinou aquela  carta apenas numa demonstração da fragilidade dele, pela falta de um comportamento de um presidente da República”, disse. 

Para Lula, alguém disse para  Bolsonaro que as provocações do presidente aoSupremo Tribunal Federal (STF) “eram demais ".  "Disseram para ele, olha, você  está provocando um ministro da Suprema Corte que está com um processo do teu filho, da tua família, é importante que você faça uma mediação. Como ele estava muito desmoralizado e fragilizado, ele assinou”, disse. 

Lula lidera todos os cenários, em primeiro e segundo turno, traçados em pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta. Ele derrotaria Bolsonaro com ampla vantagem, segundo o instituto. Ainda na entrevista à Sagres, o ex-presidente minimizou o resultado da pesquisa. De acordo com Lula, o levantamento é apenas um "retrato do momento" e os números serão, de fato, relevantes quando a campanha eleitoral começar.

- Datafolha: Bolsonaro perde no 2º turno para Lula, Ciro e Doria. Petista lidera todos os cenários

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (17) aponta que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem larga vantagem sobre Jair Bolsonaro na disputa presidencial do ano que vem tanto no primeiro como no segundo turno. Na simulação de segundo turno, Bolsonaro perde em todos os cenários aferidos, para Lula, Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB).

Nesse cenário, Lula tem 56% das intenções de voto, índice inferior aos 58% registrados na última pesquisa. Já o atual presidente da República registrou 31% das intenções de voto, mesmo percentual do levantamento anterior.

A pesquisa foi realizada de 13 a 15 de setembro e entrevistou 3.667 eleitores presencialmente em 190 cidades do país. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O instituto realizou simulações de quatro possíveis cenários para o primeiro turno. Os dois primeiros foram comparados com os resultados do levantamento de julho. Os demais são novos, feitos a partir de novas possíveis candidaturas anunciadas.

Primeiro turno

Cenário A

  • Lula (PT): 44% (46% na pesquisa anterior)
  • Jair Bolsonaro (sem partido): 26% (25% na pesquisa anterior)
  • Ciro Gomes (PDT): 9% (8% na pesquisa anterior)
  • João Doria (PSDB): 4% (5% na pesquisa anterior)
  • Luiz Henrique Mandetta (DEM): 3% (4% na pesquisa anterior)
  • Em branco/nulo/nenhum: 11% (10% na pesquisa anterior)
  • Não sabe: 2% (2% na pesquisa anterior)
  • Cenário B

    • Lula (PT): 42 (46% na pesquisa anterior)
    • Jair Bolsonaro (sem partido): 25% (25% na pesquisa anterior)
    • Ciro Gomes (PDT): 12% (9% na pesquisa anterior)
    • Luiz Henrique Mandetta (DEM): 2% (5% na pesquisa anterior)
    • Eduardo Leite (PSDB): 4% (3% na pesquisa anterior)
    • Em branco/nulo/nenhum: 11% (10% na pesquisa anterior)
    • Não sabe: 2% (2% na pesquisa anterior)

    Cenário C

    • Lula (PT): 44%
    • Jair Bolsonaro (sem partido): 26%
    • Ciro Gomes (PDT): 11%
    • João Doria (PSDB): 6%
    • Em branco/nulo/nenhum: 11%
    • Não sabe: 1%

    Cenário D

    • Lula (PT): 42%
    • Jair Bolsonaro (sem partido): 24%
    • Ciro Gomes (PDT): 10%
    • João Doria (PSDB): 5%
    • José Luiz Datena (PSL): 4%
    • Simone Tebet (MDB): 2%
    • Aldo Rebelo (sem partido): 1%
    • Rodrigo Pacheco (DEM): 1%
    • Alessandro Vieira (Cidadania): 0%
    • Em branco/nulo/nenhum: 10%
    • Não sabe: 2%

    Para o segundo turno, a pesquisa aponta cinco cenários possíveis. Veja:

    • Lula (56%) x (31%) Bolsonaro. Votos em branco (13%); não sabe (1%)
    • Lula (55%) x (22%) João Doria. Votos em branco (22%); não sabe (1%)
    • Ciro (52%) x (33%) Bolsonaro. Votos em branco (15%); não sabe (1%)
    • Ciro (29%) x (51%) Lula. Votos em branco (19%); não sabe (1%)
    • Bolsonaro (34%) x João Doria (46%). Votos em branco (19%); não sabe (1%)

    Pesquisa Datafolha divulgada nessa quinta já apontava a piora na avaliação de Bolsonaro, em seu pior momento desde o início do mandato. A avaliação de Bolsonaro chegou a 53% de ruim ou péssimo, ante 51% em julho. Já 24% consideram o governo regular, o mesmo da última pesquisa. E 22% consideram Bolsonaro ótimo ou bom, ante 24% da pesquisa anterior.

- Ministra diz que pesquisas não podem estar restritas a países ricos

A ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse hoje (17), durante reunião com ministros dos países integrantes das 20 maiores economias do planeta (G20), que pesquisas científicas e inovações devem estar acessíveis a todos países, e não apenas a produtores subsidiados por países ricos.

Ao participar da sessão Pesquisa como Força Motriz da Sustentabilidade, na cidade italiana de Florença, a ministra disse que dois aspectos precisam ser observados para que os países consigam obter sustentabilidade no setor agropecuário. 

“O primeiro, disponibilizar aos produtores rurais ferramentas para produzir mais, usando menos recursos naturais. O segundo, fazer da ciência uma força motriz para manter o comércio fluindo e os mercados previsíveis”, afirmou a ministra.

Em relação ao primeiro aspecto, Tereza Cristina destacou que “pesquisa e inovação são fundamentais para o desenvolvimento de uma agricultura renovável e de baixa emissão de carbono”. 

Tereza Cristina argumentou que o setor público, no caso de alguns países, já desempenha papel importante na formulação de políticas de disseminação de tecnologias. “Mas os governos, especialmente nos países em desenvolvimento, não podem fazer isso sozinhos. Portanto, o setor financeiro global também deve investir e ser parte da solução no terreno”.

De acordo com a ministra, na próxima década será necessário disponibilizar mais recursos visando a adoção de práticas inovadoras e acessíveis a todos, e não apenas a “alguns produtores subsidiados nos países ricos”. “Somente alinhando tecnologias sustentáveis a investimentos, faremos da agricultura um setor estratégico para uma recuperação verde”, disse.

A ministra reiterou as críticas que costuma fazer contra o protecionismo praticado por países ricos e os efeitos negativos dele para a concorrência no mercado global. Segundo ela, isso aumenta a pobreza ao mesmo tempo que causa impactos negativos em produtores rurais de países em desenvolvimento.

“O protecionismo, como todos sabemos, recompensa a ineficiência e é ruim para a sustentabilidade. Mas, agora, além do protecionismo, também enfrentamos o ‘precaucionismo’. Os reguladores estão cada vez mais impondo medidas limitantes na tentativa de proteger os consumidores antecipadamente contra todos os tipos de riscos possíveis. Isso não é racional”, disse Tereza Cristina.

Fonte: Poder360 - Congresso em Foco - Agência Brasil