Política

Bolsonaro ataca Fux e STF em manifestação em Brasília





Com bandeiras golpistas, pedindo o fechamento do STF (Supremo Tribunal Federal) e contra o Congresso, o ato favorável ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, começou com confusão na manhã de hoje (7). O presidente participou do ato, com discurso também abertamente golpista, em que ameaça o presidente do STF, Luiz Fux:

Ou o chefe desse Poder enquadra os seus ou esse Poder pode sofrer aquilo que não queremos. Porque nós valorizamos e reconhecemos o Poder de cada República. Nós todos aqui na Praça dos Três Poderes juramos respeitar a nossa Constituição. Quem age fora dela se enquadra ou pede para sair".

No começo da manhã, manifestantes tentaram avançar sobre bloqueio da PM (Polícia Militar) na altura da Praça dos Três Poderes. Eles tentaram tirar as grades que limitam o acesso até a região, que é sede dos três Poderes, e afirmaram que "vieram para guerra e não fazer carnaval". Os policiais reagiram e usaram spray de pimenta para dispersar os manifestantes.

Protesto a favor de Bolsonaro - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

7.set.2021 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) derrubam cercas de proteção com o intuito de invadir a área próxima aos prédios do Congresso Nacional e do STF

Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A região concentra apoiadores do governo desde a noite de ontem (6),quando, sem qualquer sinal de oposição da Polícia Militar do Distrito Federal, atravessaram bloqueio prévio, na altura da Biblioteca Nacional.

Hoje, há uma barreira neste ponto, mas sem uma efetiva revista da Polícia Militar. Dessa forma, o público consegue entrar com objetos proibidos na Esplanada. A reportagem do UOL flagrou alguns manifestantes com bebida alcoólica.

A maioria não usava máscara.

Bolsonaro subiu num carro de som na Esplanada e discursou para a militância, atacando o STF. "Não aceitaremos que qualquer autoridade usando a força do poder passe por cima da nossa Constituição. Não mais aceitaremos qualquer medida, qualquer ação ou qualquer sentença que venha fora das quatro linhas da Constituição", disse.

"Nós também não podemos continuar aceitando de uma pessoa específica da região dos Três Poderes continue barbarizando a nossa população. Não podemos aceitar mais prisões políticas no nosso Brasil."

Por volta das 11h, os manifestantes começaram a deixar o ato.

Os atos também acontecem em São Paulo, Rio de Janeiro e outros centros do país. Também estão acontecendo nesta terça-feira atos contra o presidente Jair Bolsonaro

Faixas golpistas

7.set.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chega para a cerimônia de hasteamento da bandeira em Brasília, para o 7 de Setembro, em um Rolls-Royce dirigido pelo ex-piloto Nelson Piquet - Reprodução/TV Brasil

Além de cartazes e faixas em favor do presidente, manifestantes concentrados na Esplanada dos Ministérios também defendiam golpe militar e a saída dos ministros do STF

Uma faixa, localizada em frente ao Congresso Nacional, clama por "intervenção militar e faxina nos Poderes" e diz que o povo quer "Bolsonaro no Poder".

Estendidas no longo do gramado da esplanada, faixas também pedem a retirada dos ministros do Supremo, em especial, dos ministros Alexandre de Moraes e Luis Roberto Barroso. "Sim à liberdade de expressão!", diz um cartão, em seguida de uma faixa que pede que o STF "respeite a Constituição".

Apoiador em blindado - JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO - JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO

7.ser.2021 - Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobem em veículos blindados estacionados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília

Imagem: JOAO GABRIEL ALVES/ESTADÃO CONTEÚDO

Hasteamento

Bolsonaro participou hoje da cerimônia de hasteamento da bandeira no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, em Brasília. O ato abriu as comemorações do Sete de Setembro, que neste ano, assim como em 2020, não terá desfile militar por causa da pandemia do coronavírus.

Mais cedo, Bolsonaro tomou café da manhã com ministros e outras autoridades. Na saída, fez uma live em suas redes sociais. "Hoje é o dia do povo brasileiro que vai nos dar o norte, que vai nos dizer para aonde o Brasil deve ir. O que falarmos a partir de agora, falo em nome de vocês. Nosso país não pode continuar refém de uma ou duas pessoas, não interessa onde elas estejam. Esta uma ou duas pessoas, ou entram nos eixos ou serão simplesmente ignoradas na vida pública. Vou continuar jogando dentro das 4 linhas, mas a partir de agora não admito que uma ou duas pessoas joguem fora das quatro linhas. A regra é uma só: respeito à nossa Constituição."

Depois, seguiu de Rolls-Royce acompanhado de crianças até a Praça das Bandeiras, na área do palácio. Quem dirigiu o veículo foi o ex-piloto Nelson Piquet.

Usando a faixa presidencial, ele se posicionou ao lado do vice-presidente, Hamilton Mourão, e da primeira-dama, Michele Bolsonaro. Ministros, senadores e deputados convidados também observaram a cerimônia. Poucos usavam máscara.

Bolsonaro se retirou logo após o hasteamento e os disparos dos canhões. No momento em que o presidente retornava ao Alvorada, militares exibiam um treinamento tático. A Esquadrilha da Fumaça se apresentou em seguida.

Protesto na Paulista

Posteriormente, a ideia do presidente é viajar para São Paulo e participar de um segundo ato a favor de seu governo, previsto para ocorrer na Avenida Paulista.

"E pretendo, sim, participar do evento na Paulista, onde devo chegar por volta das 15h30. Aí sim um pronunciamento mais demorado. Falar com a população e também demonstrar para o mundo o quanto o governo está preocupado com o seu futuro. É um movimento popular, devemos entender como normal. Quem não quiser apoiar, é direito dele. Agora ser contra um movimento popular, não dá para apoiar isso aí", afirmou o presidente em entrevista à Rádio Jornal Pernambuco, em 26 de agosto.

Tensão em atos

Governos locais temem que o clima político conturbado e o acirramento de divergências institucionais entre Bolsonaro e adversários (principalmente o Congresso e o STF) possam incentivar atos de violência.

De acordo com o governo do Distrito Federal, militâncias rivais estarão separadas por aproximadamente 3 km de distância.

Apoiadores do governo, em maioria, ocuparão a Esplanada e devem caminhar em direção à praça dos Três Poderes. Já manifestantes que compõem o chamado Grito dos Excluídos (movimentos sociais, partidos de esquerda e outros) vão se concentrar na região da Torre de TV, na região central do Plano Piloto.

Ausência do desfile militar

As Forças Armadas orientaram seus oficiais em todo país a não realizarem as paradas da Independência —desfiles que ocorrem em vias públicas com membros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica. A decisão ocorreu em 2 de agosto, com um ofício despachado pelo Ministério da Defesa.

 

Fonte: UOL